Hoje eu sorri porque pensei nele mais uma vez. E por pensar, suspirei e constatei: sou capaz de sonhar mais uma vez.
Ele não passa de um garoto e isso é hilário. Posso tocá-lo se eu quiser. Seu corte de cabelo me faz pensar que ele é fútil e talvez ele seja. Seria impossível eu me apaixonar por ele?
Já não sei mais.
Eu pensei nele noite passada, antes de dormir, e quer saber? Foi legal.
Estranho o jeito que eu o conheci, foi através de um sonho, um sonho de outra pessoa. Ele estava tão lindo e suas qualidades tão supervalorizadas, que qualquer um que lesse aquilo que eu li, diria que ele era perfeito. Mas eu já desconfiava que era só um garoto.
Um garoto totalmente mascarado e recriado por uma outra garota que não era eu.
Um personagem metade real, metade fruto da paixão de uma criatura iludida. Eu me identifiquei com a autora por trás das palavras, nas entrelinhas.
Quando o garoto personagem sorria, eu a via. Quando o garoto personagem dizia algo, eu a escutava. Quando o garoto personagem era citado, meu coração batia junto com o dela. Quando o garoto real se foi, levando toda a ilusão, levanto o garoto personagem dela embora, eu sabia exatamente o que ela estava sentindo.
E o sonho da garota iludida termina em mim. Eu sou a Sarah do garoto personagem. Não é irônico? Uma Melina que de repente vira Sarah. Um Mark que de repente é só um garoto cheio de imaturidades e outras coisas desprezíveis.
Por isso me dói. É terrível pensar que alguém se sente como me senti certa vez.
O mais interessante de toda essa história é que o garoto personagem se livrou de uma louca sonhadora e caiu nas garras de outra. Pulou de um diário e caiu em outro. Caminhou de um blog desesperado a outro, sem paradas. Sinto muito, mas eu não posso te livrar da sina de ser um personagem.
Novamente ele não é ele. Mas não é mais o garoto fisicamente lindo, divertido, engraçado, romântico, sedutor e irresistível que li certa vez. Agora, além de mulherengo, gatinho e cheio de lábia, é um escape, um segundo posto de melhor opção, uma luz no fim do túnel totalmente inexplorada. São garotos personagens diferentes com o mesmo garoto real por trás. O que continua é a forma literal de ele ser exposto por aí.
Não se sabe se é seu destino ou sua má sorte. Não se sabe se o garoto real que ele é está mais próximo do meu ou do dela. Não se sabe se devo explorar a luz que estranhamente irradia dele. Não se sabe se ele vale a pena. Mas sabe-se que ele está aqui. Devidamente registrado.