Leve brisa origina meus sentidos.
Vem de longe, quão longe,
A me mortificar.
Não me toca, sufoca, transcende e ata,
Deturpa minha mente.
Um quase sopro que me chega,
Frio que excita.
Vem romper minha portagem,
Libertando meus instintos.
Anjo mau, que queres?
Algo posso lhe proporcionar?
Pouco que tinha, continha,
Eximido por ti está.
Se puderes, devolva-me
Assim como veio
Sussurro
E se perde em meio a sons
E se perde como a mim.
domingo, 24 de abril de 2011
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Mantenha-se no chão.
Disseram-lhe que era melhor não se aproximar. Fique longe, garotinha, não seja tola. Mas você sabia andar, mesmo que cambaleante, e por isso achou que seria capaz de uma longa caminhada. Bobinha, seu tombo foi surpreendente, apesar de previsto. Inevitável ida ao chão. Acalme-se, não é culpa sua. Você precisa de mais que vontade pra se manter de pé. E você só a tinha. Só você a tinha.
Mantenha-se aí, no chão frio. Não por falta de amor próprio, não por masoquismo. Sim por falta de saber o que fazer, por esperar que venha outra oportunidade, totalmente diferente pela qual valerá a pena se levantar.
Garotinha, não seja tão inocente. Não acredite que agora ainda é possível tentar. Dói mesmo. Absorva toda a dor e faça dela fortaleza para quando for se levantar. E levante-se correndo, porque se o mundo é feio e cruel hoje, amanhã quando estiver você forte, ele será do jeito que você quiser.
(Escrito dia 29/10/10)
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Doce Abril
De maneira egoísta, quero estar em sua mente. Não é justo me entregar dessa maneira. Afasto-me de mim, me aproximo de você. Ah, é o que me resta?
Meu riso, tão constante, tende a ser reflexo da sua presença. Ausência trará sensações que indicarão: é vício. Não espere de mim cautela. Não há contenção em devaneios.
Aproveite-me, pois sou passageira. Aproveito-te, porque o que vem com você, talvez venha pra ficar. E tentar, sugar e transformar. Seu começo tem gosto de saudade e é o melhor mal que eu posso imaginar.
Seria ótimo estender, mas você não me permite esperanças. Ainda assim, fico. Porque é errado. Porque é bom. É novidade, é lindo, é pleno, é riso. É você, sou eu, é fim de chuva.
Bem vindo, meu Abril.
Meu riso, tão constante, tende a ser reflexo da sua presença. Ausência trará sensações que indicarão: é vício. Não espere de mim cautela. Não há contenção em devaneios.
Aproveite-me, pois sou passageira. Aproveito-te, porque o que vem com você, talvez venha pra ficar. E tentar, sugar e transformar. Seu começo tem gosto de saudade e é o melhor mal que eu posso imaginar.
Seria ótimo estender, mas você não me permite esperanças. Ainda assim, fico. Porque é errado. Porque é bom. É novidade, é lindo, é pleno, é riso. É você, sou eu, é fim de chuva.
Bem vindo, meu Abril.
(escrito dia 03/04/10)
terça-feira, 12 de abril de 2011
Escrevo por...
"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou uma desesperada e estou cansada, não suporto mais a rotina de me ser. E se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparada estou para sair discretamente pela porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quero ter o que eu teria sido e não fui."
(A Hora da Estrela - Clarice Lispector)
(A Hora da Estrela - Clarice Lispector)
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