O albúm de retratos está vazio, tracado no armário. Ele conta com o tempo que parece incontável. Não houve o que pudesse ser fotografado.
Existe uma dor que nasceu da espera. Espera pelo gesto, pela palavra, pelo beijo. É dor da distância, da impossibilidade. O medo de esquecer também doi, já que é muito pouco e foi muito rápido para ser lembrado.
É uma dor insana pelo que poderia ter sido, mas que de modo geral não fou nada.
p.s.: Queria agradecer à você, minha amiguinha companheira de lápis, Nara, por ter escrito um poema TÃO LINDO e inspirador. Como não tenho capacidade para poemas, fiz esse monólogo. Chorar no seu ombro, é chorar de modo literário e bonito. Obrigada.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
sábado, 27 de novembro de 2010
Tudo é cinza
É um dia chuvoso que apaga todo o brilho do sol. Tudo é cinza, mas eu te vejo bem na minha mente e a única certeza que tenho é que só tenho olhos pra você. Eu escuto o vento soprar. É alto dentro da minha cabeça. Você é uma viagem que não tem meta nem destino, você é o meio-termo onde deixei meu coração. Mas talvez a única coisa eu realmente saiba de você são as palavras emocionadas que escrevo sobre nós. Você está sempre aqui, o que sinto mantém você próximo. E cada passo que eu dou parece estar tomando meus pensamentos de volta para você... E o tempo passa... E se torna tão claro, eu nunca estou sozinha, o que sinto sempre está aqui. Eu escuto o som de uma musica triste. Querendo ou não, eu sei que vou te ver. E então o céu voltará a ficar azul.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Passagem.
Nada passou. Ainda passo querendo muito o que, provavelmente, se afasta de mim mais e mais a cada dia que passa. E eu passo todo o tempo pensando no que se passa na sua cabeça, penso que não passo mais lá. Passa pela minha coisas tristes. Passa saudade. Passa e fica. Passa lembranças. Passa e fica. Queria que passasse essa fase tão difícil. Vai passar? Então quero passar desse mundo feio, que não é meu e passar pro meu antigo, já que esse não merece que eu passe tanto tempo nele.
sábado, 20 de novembro de 2010
Carta ao Nada.
Belo Horizonte, 20 de novembro de 2010.
Caro Nada,
Venho por meio desta carta pedir-te (suplicar-te) ausência. É muito ruim topar com você às vezes. Não é ruim pra você também?
Que situação desagradável. Tenho que dizer que não gosto de você. Sua presença me incomoda, seu tédio me contamina. Já lutei contra você, mas fui um fracasso. Por isso tento agora, passivamente, tirar você da minha vida.
Detesto essa sua indiferença, esse seu jeito cruel de provar minha impotência. Eu te fiz alguma coisa? Pare com isso. Suma, leve seu tédio, seu silêncio, sua maldade.
Minha vida está parada. Estou sentindo você. E quando começo a te sentir, fico com medo. Mas ainda há tempo de você me abandonar. Só posso mudar de estado se você não estiver comigo.
Atenciosamente,
Solidão.
"É preciso que eu suporte duas ou três lagartas pra que eu conheça as borboletas" - O Pequeno Principe
Caro Nada,
Venho por meio desta carta pedir-te (suplicar-te) ausência. É muito ruim topar com você às vezes. Não é ruim pra você também?
Que situação desagradável. Tenho que dizer que não gosto de você. Sua presença me incomoda, seu tédio me contamina. Já lutei contra você, mas fui um fracasso. Por isso tento agora, passivamente, tirar você da minha vida.
Detesto essa sua indiferença, esse seu jeito cruel de provar minha impotência. Eu te fiz alguma coisa? Pare com isso. Suma, leve seu tédio, seu silêncio, sua maldade.
Minha vida está parada. Estou sentindo você. E quando começo a te sentir, fico com medo. Mas ainda há tempo de você me abandonar. Só posso mudar de estado se você não estiver comigo.
Atenciosamente,
Solidão.
"É preciso que eu suporte duas ou três lagartas pra que eu conheça as borboletas" - O Pequeno Principe
Caminho certo?
Começo a seguir um caminho que me foi imposto. Nunca imaginei que seria tão terrível. Mantenho-me na linha, sempre em frente, porque não posso lutar sozinha. E o silêncio anuncia que permanecerei assim por algum tempo. Quanto dura um tempo? Disseram-me que vai passar. Não me perguntaram se era isso que eu queria. Preciso de uma orientação porque os dias parecem anos quando estou sozinha. E não consigo aceitar. Talvez eu precise mesmo de todas aquelas sensações que vêm com você. Não estou sendo honesta com os meus sentimentos, e isso nunca aconteceu. Meus caminhos sempre foram meio tortos. Como boa sonhadora eu precisava seguir mais esse desvio. A verdade é que sinto nesse quarto vazio com esse silencio solitário, um nó na garganta e uma angustia a me possuir. Sinto que não estou sendo eu mesma. E eu não sabia que o certo era sofrer assim. Não se pode exigir que uma garota como eu deixe de acreditar, a não ser que eu mude. Estou mudando porque na sua ausência perco um pedaço de mim todos os dias.
"Quando se anda sempre pra frente, não se pode mesmo ir longe." - O Pequeno Príncipe
"Quando se anda sempre pra frente, não se pode mesmo ir longe." - O Pequeno Príncipe
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Decolagem
Não que eu queira supervalorizar a tristeza, mas ela existe. Não que eu queira sentir dor, mas quando ela começa, insiste em não me abandonar. Não que eu queira voar, mas sempre que sonho, meus pés se desprendem do chão e parece que nunca o tocará novamente. E essa decolagem me dói, a tristeza voa na mesma altura. Porque eu não preciso da queda para me sentir mal, eu só preciso de uma ilusão. E partindo da teoria de que a ilusão faz mal, tento aterrissar. Mesmo porque isso não faz a menor diferença pra você. Planejo, sonho, espero, te espero, me decepciono, mas não caio. É difícil até pra você me fazer descer. Continuo tentando, quem sabe um dia? Não tento mais você, me tento. Tento não passar dos limites da ilusão. Desculpe mas não posso confiar. Desculpe, mas não sei me apaixonar sem voar. Você pode me ajudar? Sabe... Não necessariamente eu preciso parar de sonhar. Só preciso que me mostre o lado bom de acreditar.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Tempestade
Algo macio em baixo de mim tenta me confortar enquanto luto contra a escuridão cheia de sombras que me atormentam e me impedem de respirar normalmente. O barulho do vento anunciando tempestade, janelas batendo, meu coração a disparar. Estou só, estou só. Corro para a possível luz, mas ela é falsa e se esvai. A verdadeira eu não alcanço. Ah, mas eu daria tudo! A corrente fria de ar envolve minha pele que responde em arrepio absoluto e eu entendo que perdi. Tudo é macabro por aqui... Ouço os pingos de chuva grossos baterem com força no vidro da janela e estremeço. Caminho até a maior sompra qu consigo identificar e mergulho. Deixo-me ser absolutamente assombrada. O vento agora sopra de uma forma melancólica no compasso das minhas palavras por um fio de voz: "...eu perdi."
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