terça-feira, 29 de março de 2011

Coração Vadio

A atmosfera era aconchegante e eu estava perto demais de você. A consciência pulsava dolorosamente nas veias quando eu senti seus braços ao meu redor.
E era quente, e meu corpo pedia. O seu respondia e eu me viciava a cada segundo.
Se não fosse pelo verde do seus olhos, talvez eu tivesse alguma chance de escapar.
Vi-me correndo pelos corredores da minha alma, fugindo de você, enquanto do lado de fora, eu enterrava meu rosto em seu ombro. Doce, quente. Então eu, fatigada, encontro a saída instalada no fim de um corredor. Uma saída nova, instalada de modo instantâneo, que me surpreende por ser tão linda, doce, quente: você.
Você e o humor que me provoca. Você e o verde que me suga. Você e seus braços grandes, quentes, ao meu redor. Você e o riso que arranca a força, que vem de minha essência. Você e sua moral e princípios que se assemelham ao meu desejo de gente. Você e seu diálogo com minhas verdades. Você e eu. Eu mesma.
Eu com minhas dúvidas, inseguranças, confusões. Eu com meu perigo de te deixar porque sou correta de coração vadio. Não se arrisque porque eu garanto nada. E nada é muito. No nada eu descubro tudo e cubro-me do vazio que necessito sentir.
Estou com medo, porque na minha perdição eu arrisquei tudo, para ter o nada e, através dele, chegar até você.

(Escrito dia 10/03/11)

segunda-feira, 28 de março de 2011

O tempo passou...

"O tempo passou e eu continuei acordando e indo dormir todos os dias querendo ser mais feliz para ele, mais bonita para ele, mais mulher para ele. Até que algo sensacional aconteceu. Um belo dia eu acordei tão bonita, tão feliz, tão realizada, tão mulher que eu acabei me tornando mulher demais para ele.

Ele quem mesmo?"
(Tati Bernardi)

sábado, 12 de março de 2011

Sinto muito.

Quando tudo conspirava contra nós, eu estava aqui. Quando a razão falou mais alto, eu permaneci aqui. Quando tudo que nos restou foi o gélido nada, eu nem pensei em sair daqui.

E tudo que eu ganho é minha própria consciência cruel que me tortura e me condena ao arrependimento ingrato.

Quantas lágrimas eu derramei em vão? Foi com elas que construi os cercamentos da minha alma, da onde não entrava e nem saia nenhum sentimento novo.

Escrava da minha própria ilusão. Descubro hoje que meu egoísmo e meu apego, construiram uma máscara que você não está disposto a usar.

A razão estava certa.

Eu só sinto muito pelo fato de que já não estou sozinha nessa e de que você vai sentir agora tudo aquilo que, antes, não foi capaz junto comigo.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Viva a vida

Do cantinho obscuro no qual se encontra, é possível ver toda a paisagem. As cores, os pássaros, os sorrisos e as canções. De onde ela está, consegue soltar um riso abafado e esticar o pescoço para melhor apreciar a vida lá fora. Parece divertido, porem ela sabe de toda a verdade...
Ela já esteve lá. Sim senhor, não se engane, não é tão bonito quanto parece. De perto, ela se lembra, as cores são um tanto desbotadas, os pássaros selvagens além da conta, os sorrisos sedutores, malignos e as canções... Mal feitas.
Mas ela está segura. Ali ela está. Quando uma leve brisa toca seus longos e despenteados cabelos, ela estremece. Fecha os olhos e pensa "Vai passar..."
E no final das contas, sempre passa mesmo, ela está certa. Está?
Porque, sinceramente, uma parte dela diz que não. Uma parte dela quer estar lá fora. Mesmo sabendo o quão perigoso é, mesmo tendo experimentado a vida lá fora e se machucado seriamente. Porque quando as brisas que a tocam, muitas vezes, a seduzem. Quando as brisas tocam com insistência, ela esboça um sorriso. E de quando em quando, de repente, ela se levanta.
"Oh, que tolice", ela pensou. Sentou-se novamente, encolheu-se. "Melhor assim, melhor assim."
Melhor assim?

Ela faz do passado desculpa para se esconder do presente. É isso. Está bem, sei que você não sofre e se sente confortável, minha amiga, mas nunca vai melhorar. É uma situação permanente. Sabemos que não, não é justa mesmo. A vida é assim, mas não a deixe passar porque ela passa mesmo. E quando você assustar... Já foi. A verdadeira felicidade está na parte perigosa. O caminho pode ser doloroso, eu bem sei, mas é necessário. Essa redoma de vidro que você ergueu em torno de si, te protege de possíveis decepções. Mas ela também te impede de ser tocada. E isso não te assusta?