Uma folha na ponta de um galho reflete certa luz e também sobre destino. Desprende-se leve, entregue. Vem de encontro a resistência: o ar. O ambiente, repleto da gravidade que tanto insistiu para que ela viesse, agora apresenta a brisa fria que a faz planar. Seria longa, portanto, a trajetória rumo ao chão. Alça voo livre em direção ao seu romântico suicídio. É o Outono tecendo preguiçoso seu clássico retrato. A folha que cai, o chão que aguarda, e a árvore que, nua, aceita sua inevitável sina: ser mutável.
Contudo, sobre tudo e todas as dores, está ameno o raio de um rei que repousa sobre nuvens do Outono. É tempo de tal astro descansar. No entanto, por ser quase eterno e ser tanta luz, o Sol, ainda que fraco, leve em recuperação por intensa estação (o verão), diz sobre permanência. Há que se considerar: Ainda que esfrie o tempo e as folhas caiam, também é essência minha, por excelência, emanar luminosidade.
Sobre o Outono sobre folhas que caem e se demoram, sobre mim, está o seu clichê de que é tempo de renovar. Sim, perceber o Sol, e reparar que algumas coisas não se perdem, nem mesmo mudam.
Tranquila, árvore nua, o Sol de verão se desprendeu do aquário abafado. Solto, de repente, mais leve. Se espalha e toca tudo mais suave.
O Sol de Outono é a liberdade.