quarta-feira, 4 de julho de 2012

Para morrer de overdose

Eu amaldiçoo toda a abstinência que houver neste corpo que vos fala. Sento na cadeira mais espaçosa do bar da esperança e garçom, por favor, todas as lembranças. Traga agora, irei fumar.

Ah, se nestes dedos enrolam suas falas displicentes que foram ditas num calor do momento tão fugidias, meu amigo... Nem a combustão apagará.

Vem! O copo é pequeno, o fígado é forte, e as horas passam devagar. Assista assim, de longe, como quem nem vê tua desgraça em meu peito se afogar. E vem que o doce azedou e eu estou me lambuzando. Desce quente, amargo, arrepio.

Fico. Suspiro e fico. Abro tudo, me sirvo, e me jogo toda, rolo, rolo toda em você.
E para que não se semelhe a sofrimento, o gozo de esperar em vão. A desculpa ao léu, a forma do vazio.

Porque mesmo que doa, roa, e aperte, preenche. E da uma espécie de prazer.

Então hoje me embebeci, para enfim me libertar. Que a overdose leve ao ápice do término ou que as circunstancias rodem e me sirvam da verdadeira dose. A dose longe que põe meu corpo em chamas e se que chama você.