sábado, 3 de novembro de 2012
Porque eu não desisto de você
Quantos devaneios tive que manter para que a luz degradante baixasse nossos olhos tontos, obedientes, e minha boca pudesse receber sua língua urgente se fazendo gana inesperada, ânsia de seus dedos firmes? Quantas falas de alheios projetadas em carinho, prolixas por amizades sinceras tive que lançar ao vento, ignorar teimosa, para que todo aquele sorriso contido no seu olhar se fizesse seriedade fitando-me em desejo? Ah, quanto esperei por ter sua vontade por meu corpo contra meu corpo, minha unha em sua pele, meu rosto entre suas mãos e meus lábios na aspereza dos pelos de sua face...
Antítese que paixão assim remeta a solidão. Estranho que quanto mais suas mãos percorriam minhas curvas, mais deslizavam imprecisões. Seu abraço forte era também o que tem de frágil em meu peito. Quanto mais intimo, mais claro. Meus sonhos juvenis não são prioridades. O seu momento, o seu pedido, suas vivências e eu avulsa, a mercê de suas fases.
Que venham dos céus motivos para que eu o deixe. O vicio se cura melhor no inicio, ele disse que não vem. Essa é a terça. Vazia, não como qualquer. Essa é a terça do após.
Dezenove horas. Será possível que nem promessas, tão poucas, se cumprirão? O céu responde pouco a pouco, o cheiro de chuva se esvai. Escondem-se nuvens, falsas. A chuva disse que vinha, não vem?
Acréscimos agora, cinquenta. Surpresa! É quase vinte horas quando meu nariz no seu ombro notou a ponta do seu dedo fazendo estrela no peito de minha mão. E mesmo com toda a insegurança e a falta de futuro, inesperadamente seus braços estavam ao meu redor. Temos que agir com calma, paciência e razão. Como? O pouco que sei gira em torno de que fui parar aqui, na mesma terça do após batendo a porta do seu carro cambaleante por beijos ininterruptos, intensos, atravessando a rua protegida por seus olhos que me aguardavam entrar no prédio. O céu, límpido.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Uma terça qualquer
Sentado, cabeça baixa, ele estava a uma distância de pouquíssimos metros de mim.
Pude analisar sua roupa, sua barba e seu jeito alternativo. Pude fazer perguntas a mim mesma, sorrir involuntariamente. Pude, enfim, suspirar.
Quando voltou sua cabeça em minha direção e senti seu olhar sorridente pairar em meu corpo, a surpresa foi justamente a falta dela. Um abraço e lá se foram cinco meses.
Nada do que esperei. Nenhum alívio ou dissipar de saudade. O que aconteceu foi anulação do tempo. Como se aquela situação me fosse corriqueira porque, de certa forma, eu o guardava todos os dias. Estranho pensar que até quando eu me orgulhava por ter esquecido, eu o estava cultuando dentro de mim.
Agora eu me via sentada ao seu lado. Atenções que pairavam entre o palestrante e a dúvida se, por canto de olho, eu estava sendo observada. Ao projetar seu corpo para frente, era entre minhas lembranças certeiras tão aproximadas e meu desejo de parecer tirar a linha preta que descansava no branco de sua camisa quando, na verdade, queria apenas medir seu calor com o meu polegar.
O problema talvez seja sua gentileza excessiva que me confunde e castiga ou seus sinais que tal podem ser más interpretações qual alegrias suntuosas. Seu cheiro neutro tão leve quanto o jeito que piscou pra mim ou os pingos de chuva batendo no vidro do carro enquanto nós poderíamos ser apenas dois amigos sem perspectivas amorosas.
Se não fosse por mim. Eu e minha forma de eternizá-lo. Minha gratidão eterna pela temporada das flores que me chamou com as cores que produziu e a minha certeza de que não importa quantas lacunas sua ausência faça, nem todas as dúvidas que planta no meu coração de menina se fazendo cabeça de mulher. Não importa ainda quais sejam suas intenções. Sempre que eu olhar pra ele terei aquela sensação de que o tenho, ainda que não o possua de fato, o tenho porque realmente o quero ter em todo e qualquer aspecto da minha vida.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Ensaio sobre mim
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
À pele da flor
Não há o que temer.
Estive a mercê de fantasmas sem rosto e agora brota manso um rosto sem fantasmas.
Não há o que fazer.
Aquieto e me calo na solidez de um sentimento como se já estivesse instalado em mim.
Desvendar-te, não ha propósito, se entregue está aberto como se a chave eu guardasse em cada milímetro do meu corpo, que te reconhece.
Conheço você.
E com a rapidez de um impulso que não soube identificar, com a calma branda parda de suas origens, é esse moreno terno que me acolhe.
Não sendo vã todas as vezes, que por confiar no amor, abri meu coração ao léu, vem em dádiva o seu tão escancarado quanto o sorriso que foi o que primeiro contemplei.
Agora mergulho em seus dialetos, suas delícias.
E pra quem lamentar os importunos dos impedimentos que hão de vir a tona como ferpas a incomodar, digo que preocupação maior tenho em agradecer aos céus e pedir pro tempo que passe ligeiro e que os ventos do norte soprem a alegria de te reencontrar.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Para morrer de overdose
Ah, se nestes dedos enrolam suas falas displicentes que foram ditas num calor do momento tão fugidias, meu amigo... Nem a combustão apagará.
Vem! O copo é pequeno, o fígado é forte, e as horas passam devagar. Assista assim, de longe, como quem nem vê tua desgraça em meu peito se afogar. E vem que o doce azedou e eu estou me lambuzando. Desce quente, amargo, arrepio.
Porque mesmo que doa, roa, e aperte, preenche. E da uma espécie de prazer.
Então hoje me embebeci, para enfim me libertar. Que a overdose leve ao ápice do término ou que as circunstancias rodem e me sirvam da verdadeira dose. A dose longe que põe meu corpo em chamas e se que chama você.
domingo, 17 de junho de 2012
Descanse em paz, te quero em paz
Essa impressão neutra. Mormaço com sensação térmica de menos cinco graus não para trazer-me frio aos ossos, mas para congelar minhas expectativas, conservando meus sentimentos.
O estado de sensibilidade reduzida nada mais é que um marasmo tranquilo. Não tem a ver com perda de sentimentos, para o meu espanto.
Fato que sinto a sua falta e a falta essa que sinto, a meu antigo ver, deveria ser a morte da esperança. Mas de uma maneira que não consigo explicar, não é.
Você apenas queria paz. Desviou para onde nem sei, e numa tentativa tola, tentei ir atras em prosa. Por fim, perdi-me em monólogos emocionados não tão vazios de você num paradoxo de sentimentos. Mas que fim é esse?
Se minha tempestade não foi capaz de lavar sua recusa molhando o não pulsante e vigorando o sim inédito, jogo-me no tédio a ofertar-te distancia segura. Mergulho em sua escassez que ainda há de vigorar, porque apesar de, eu ainda sinto você.
E desses silêncios que vivem à sua espera, ocupo-me da mudez rara do seu sorriso ausente, que é o que mais me faz falta.
domingo, 6 de maio de 2012
Existe alguém mais querida do que eu?
Penso e repenso. Cálculos breves porque o momento exige agilidade. Estamos face a face de tal modo que a frieza que ele exala por estar estáticamente intocado é perceptível à pele sensível de meu rosto.
Então é essa a pessoa que eu sempre precisei pra ser feliz? É ela quem esteve esperando o despertar do sono profundo que toda a carência me fez mergulhar? No balançar afirmativo que fazemos em comum, posso dar um longo suspiro que o embassa.
Olá, meu amor, por um longo tempo não considerei você. Por um longo tempo achei que apenas outras pessoas salvariam a relação que é só nossa, mas, acalma-te. Agora eu sei. Eu cuidarei de você, você cuidará de mim e nós cuidaremos dos outros na medida em que seremos melhores.
Acredito, por tanto, porque posso e é evidenciado em seu olhar. Confiança, fidelidade e, acima de tudo, amor.
Prometo que ninguém vai magoar você. E o mal, afastarei. Limparemos nossa vida, esse presente maravilhoso que nosso Pai Celestial nos proporcionou. Agradeço a Ele que, além todas as dádivas que recebo diariamente, me concedeu por lindos sinais a deslumbrante consciência que agora me ilumina.
E, para selar este, que talez seja o momento mais romântico de minha vida, preparo meus lábios, fecho os olhos, aproximo meu rosto, e beijo meu reflexo no espelho.
domingo, 22 de abril de 2012
Era pouco, se acabou?
Olha, não sou eu, é você e a sua dificuldade em ser metade do inteiro que queria. E sem que eu quisesse, mas a tempo de perceber, caímos nessa inércia planejada de forma meticulosa e arisca porque força esterna nenhuma te tira da mesmice de se manter da maneira que se encontra.
Entendo que você esteja fadado aos atrasos que me fazem pensar que você não vem. Aliás, você nunca veio, não é mesmo? O que me vinha era um protótipo de distância como quem faz o suficiente para ser desejado, ao passo que diz "Cuidado, não me toque!". Tudo isso com uma cara de intelectual e uma coçada no queixo enquanto pronuncia seus pensamentos libertinos. Na verdade, todo esse seu esteriótipo de quem sabe o que fazer de maneira inteligente, trepida e perde o charme quando em meio a séria reunião moral você desenrola um trident. E então aquela mandíbula barbuda para um lado e para o outro lembrando meios sorrisos alternados. Mas não são.
Você é só um peculiar intelectual que masca chicletes e sorri com os olhos, depois com a boca. Isso soa doce. Apesar de tudo que você me alerta, eu poderia fazer doutorado em seus sorrisos. Sei de todos os clichês em torno de sorrisos, mas saiba que o seu é verdadeiramente especial, pois raras são as pessoas que sorriem com os olhos qual raro está sendo você em minha vida. Claro que eu deveria estar sentindo mais a sua falta, mas talvez seja só esse meu lado bastante infantil que gosta da magia de ver seu rosto reagindo de cima pra baixo, como se fosse novidade para meu deslumbro.
Ou talvez seja porque não somos tão amigos pra caralho quanto você pensava, ou quanto voce disse para me acalentar, para meu prêmio de consolação. Isso porque talvez eu seja pra caralho demais para você. Ou, ainda talvez, o mais provável: eu na minha coerência tendenciosa seja incapaz de entender sua contradição de, entre outros sinais, me olhar de maneira ininterrupta e depois esfregar um não na minha cara como se eu estivesse te pedindo alguma coisa.
Então se tivermos mesmo que recolher todo esse pouco, será totalmente sem chorumelas de minha parte porque, convenhamos, ficar sem você não é pior que ficar sem mim. Empatamos.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Na sua
quarta-feira, 14 de março de 2012
A carta que eu não mando
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Até que a morte nos separe
Na espera de alguns minutos se passarem até que comece a reunião, imagino quando casarmos: será lindo! Sem firulas, palavras cansativas de alguém que ganhará dinheiro com a cerimônia. Não. Não alugaremos nenhum templo. Tudo será dito com sentimento verdadeiro e vou olhar no fundo dos seus olhos ao dizer aceit... Calma!
O que estou dizendo? Ontem foi sexta feira e nenhum telefonema. Nem perspectiva. Só o nada que me alertou. Guardando tudo que podia me ofertar a troco de nos conhecermos melhor e talvez... Sabe o que eu faço com talvez? Nada. O mesmo nada. E círculos vazios me cansam. E você nem é tanto assim.
Então deixo de lado a idéia de maneira fácil. Mais fácil que eu quando quis você. Vejo o quão ridículo era e o quão posso deixar-te de lado. Fácil, fácil. Rio por dentro enquanto aguardo pacientemente a reunião se iniciar. Está atrasado. Ele não vem. Tudo bem. Melhor assim.
Desvio o olhar da porta. Fixo no relógio de parede que mostra cinco minutos excedentes. Por que não começa? Respiro fundo pra ansiedade se esvair. Rio de novo. Não há o que se preocupar, eu não sinto absolutamente nada de mais e está tudo sob controle. Segundos depois meu amigo ao meu lado se levanta para abraçá-lo. Sim, ele chegou atrasado e não se desculpou por isso. Que gafe. Ele vem até mim e me abraça. Ok. Ele fica bem de preto.
Senta na minha frente e eu fico olhando pra ele. Estou bem, achando infantil da minha parte ter levado uma historinha inventada por minha cabeça louca tão long... Ele sorri.
Por quê? Por que esse sorriso é tão lindo? Não digo como uma boba apaixonada, é realmente um sorriso maravilhoso. É largo e ele também sorri com os olhos. Cruza os braços e claramente me pergunta com um levantar de sobrancelhas porque olho tanto para ele. Desvio, encabulada.
O que eu estava mesmo dizendo? Ah é. Nosso casamento. Vou olhar no fundo dos seus olhos e dizer aceito! Aceito meu amor. E aí a gente se beija.