quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Erga-me das sombras

Havia em mim uma esperança de menina vestida de anjo. Doce intenção de salvar, amarga decepção de cair.
Caídas agora, as penas causam-me alergia. Foram meses de uma coceira insesante. Concluo que as penas sempre despingolaram, escorrendo pelas costas.
Quisera eu, tola, ajudar. Quisera eu puxá-lo para cima. Hoje, arrasto-me nas trevas.
Piso, amargurada, destroçando as penas com salto agulha. Vesti-me de vermelho porque a tentativa de resgate me pôs assim. E onde encontro-me a veste vermelha cai melhor em mim. Imploro para que caia de mim, arranquem de mim!
Quero despir-me de tudo que me rebaixa. Terei que despir de quem tanto quis salvar?
Mas e a mim? Quem me salva?
Testo as penas de um anjo amigo. Algumas não caem. São verdadeiras? Anjo verdadeiro e minha ânsia de voltar a luz. Egoísmo meu, desta vez, querer que me puxem depois de tanto puxar e cair?
Se possível, Anjo fantástico, fantasia minha, arranque minha veste.
Erga-me das sombras.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Conclusão

Ele não quis. Breve devaneio do passado, ele mudou. Como um inseto que abandona a carcaça para quem quiser ver.
Tolice. Vez ou outra voltava ao que era. Calçava novamente a carcaça e não via. Quem não quisesse ver. Ele quis. Ele quer. Quem não quer apenas não vê.
Um inseto jamais será um homem. Admira-me quem nunca acreditou em milagres aceitar metamorfose absurda.
Muro que te cega. Você ergueu a troco de que? Vontade de que? Carinho de que?
Espelho. O que houve com o teu? Nele mulher forte vira viciada atormentada e inseto vira herói. Heroína? Seja você sua reabilitação.
Teste. Pise na carcaça. Veja. Insetos criam outras, mas iguais, não se engane. O que muda é o que tem condições para tal. Muda o que pode e quer. Queira o melhor para quem melhor merecer. Mude. Queira o melhor para você.