Quisera eu um vazio repleto de beleza densa, uma posse
sutilmente indesejada. Fez-se frio o meu desprezo vão, queimou renascente
ingenuidade. Sobrava fatos, falta força imediata em entranhas minhas,
incrédulas. Com tanto tempo doado ao fim, lá se foi meu abandono.
Deveria eu saber que não há de secar meu desespero vão porque
não possuo lacunas mórbidas que se preenchem de vazio. Pude sentir o luto da
espera, a angústia da busca e os tremores da solidão. Ser presa, sentir fatiga
e saber que tudo isso compõe a exata receita de me ser sem limites.
Vestindo paradoxos cravados de amores sem luz, entrego minhas
guerras pacíficas sem fim. Desconhecendo meu início, por que tanta intensidade?
Fatos são apenas renúncias a lutas tolas que me trouxeram até aqui. Minha
serenidade se faz de explosões incontidas. E se esse sentimento é novo, de novo
sentirei da maneira que sei sentir. Não posso desistir desse começo de fim, avançarei
para o fim de um início mal feito. Límpido meu coração que não deixará de ser,
preso está em meu peito que arde. Atada, corro livremente pelas avenidas de
minha alma tranquila.