terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Até que a morte nos separe

Na espera de alguns minutos se passarem até que comece a reunião, imagino quando casarmos: será lindo! Sem firulas, palavras cansativas de alguém que ganhará dinheiro com a cerimônia. Não. Não alugaremos nenhum templo. Tudo será dito com sentimento verdadeiro e vou olhar no fundo dos seus olhos ao dizer aceit... Calma!

O que estou dizendo? Ontem foi sexta feira e nenhum telefonema. Nem perspectiva. Só o nada que me alertou. Guardando tudo que podia me ofertar a troco de nos conhecermos melhor e talvez... Sabe o que eu faço com talvez? Nada. O mesmo nada. E círculos vazios me cansam. E você nem é tanto assim.

Então deixo de lado a idéia de maneira fácil. Mais fácil que eu quando quis você. Vejo o quão ridículo era e o quão posso deixar-te de lado. Fácil, fácil. Rio por dentro enquanto aguardo pacientemente a reunião se iniciar. Está atrasado. Ele não vem. Tudo bem. Melhor assim.

Desvio o olhar da porta. Fixo no relógio de parede que mostra cinco minutos excedentes. Por que não começa? Respiro fundo pra ansiedade se esvair. Rio de novo. Não há o que se preocupar, eu não sinto absolutamente nada de mais e está tudo sob controle. Segundos depois meu amigo ao meu lado se levanta para abraçá-lo. Sim, ele chegou atrasado e não se desculpou por isso. Que gafe. Ele vem até mim e me abraça. Ok. Ele fica bem de preto.

Senta na minha frente e eu fico olhando pra ele. Estou bem, achando infantil da minha parte ter levado uma historinha inventada por minha cabeça louca tão long... Ele sorri.

Por quê? Por que esse sorriso é tão lindo? Não digo como uma boba apaixonada, é realmente um sorriso maravilhoso. É largo e ele também sorri com os olhos. Cruza os braços e claramente me pergunta com um levantar de sobrancelhas porque olho tanto para ele. Desvio, encabulada.

O que eu estava mesmo dizendo? Ah é. Nosso casamento. Vou olhar no fundo dos seus olhos e dizer aceito! Aceito meu amor. E aí a gente se beija.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Jeans e All Star

Sou do tipo que cai nas próprias ciladas. Engano-me comigo mesma, mudo de idéia, me iludo, vejo as coisas como quero que elas sejam. Olhando bem, parece que sou meio alienada, que a realidade não me satisfaz. E talvez seja isto.

Talvez a paixão com seu desespero sejam melhores que uma noite de sexta feira sem perspectivas. Talvez uma queda com suas dores valham a pena pelo prazer do vôo. Até porque minhas histórias são lindas.

Como a mais recente, a do garoto que existe mesmo antes de existir. Foi amor à primeira clicada. O vi em um site e depois em um vislumbro, juntei todas as minhas expectativas, tudo que eu achava que ele deveria ser, embrulhei pra presente, fiz um laço e aguardo a hora certa para entregar.

Quero chamá-lo de cura, melhor dos meus dias, quero encher-me de paixão. Quero que pareça casual, como pareceu no último fim de semana, apresentações e adivinhações. Eu leio mentes, sabia? Está escrito na sua testa. Sem que ele soubesse da prévia pesquisa. Sem que ele soubesse qualquer obsessão. Sou boa com adivinhações, ou apenas queria que fizesse exatamente como fez. Que risse disso, que arregalasse os olhos e dissesse: como você sabe? Ora, bobinho, sou escritora amadora. Busco algumas informações, o resto eu invento.

E aí eu giro de esperança, rio da minha loucura de menina que voltou cheia de vida e cores. Cheia dele, seu jeans e All Star que eu nem gostava antes dele me apresentar, nele. Viu? Eu mudo de ideia, me iludo, e ele é a ilusão atual. Tenho um presente para ele. Represente!

sábado, 7 de janeiro de 2012

Temporada das flores. (A noite escura menos eu)

Foi um longo passeio no qual entreguei braços iludidos para a noite escura me levar. Tão tola, mas absolutamente consciente, fiz do meu coração repouso, cama pra ela deitar.
Frio, chuva, solidão. Deixei as sombras comerem minha personalidade de maneira tão intensa que passei a sentir falta de mim.
Contudo, me aguarde, pois hoje a tarde fez sol a pino bem no meio dos trovões da minha alma que se calaram perante a você. Trouxe de início, quase imperceptível, um pedaço de mim. E quer saber? Você cheira a esperança.
Se puder me esperar, lhe darei o melhor de mim. A volta das cores que eu pensava ter perdido, mas que se encontram na mesma gaveta do calor e do amor pela vida.
Preparo-me para caminhar pelas ruas com flores e amigos, vestir o meu melhor sorriso, tirar tudo da gaveta e me apresentar: eu. Eu de novo para o novo que me veio. Onde já estou erguida. Sem puxões, puxada por mim mesma porque sou forte a capaz.
Espera-me? Estou chegando. Depois da escuridão, a vida em cores. Espera-me para a minha temporada das flores.