Na espera de alguns minutos se passarem até que comece a reunião, imagino quando casarmos: será lindo! Sem firulas, palavras cansativas de alguém que ganhará dinheiro com a cerimônia. Não. Não alugaremos nenhum templo. Tudo será dito com sentimento verdadeiro e vou olhar no fundo dos seus olhos ao dizer aceit... Calma!
O que estou dizendo? Ontem foi sexta feira e nenhum telefonema. Nem perspectiva. Só o nada que me alertou. Guardando tudo que podia me ofertar a troco de nos conhecermos melhor e talvez... Sabe o que eu faço com talvez? Nada. O mesmo nada. E círculos vazios me cansam. E você nem é tanto assim.
Então deixo de lado a idéia de maneira fácil. Mais fácil que eu quando quis você. Vejo o quão ridículo era e o quão posso deixar-te de lado. Fácil, fácil. Rio por dentro enquanto aguardo pacientemente a reunião se iniciar. Está atrasado. Ele não vem. Tudo bem. Melhor assim.
Desvio o olhar da porta. Fixo no relógio de parede que mostra cinco minutos excedentes. Por que não começa? Respiro fundo pra ansiedade se esvair. Rio de novo. Não há o que se preocupar, eu não sinto absolutamente nada de mais e está tudo sob controle. Segundos depois meu amigo ao meu lado se levanta para abraçá-lo. Sim, ele chegou atrasado e não se desculpou por isso. Que gafe. Ele vem até mim e me abraça. Ok. Ele fica bem de preto.
Senta na minha frente e eu fico olhando pra ele. Estou bem, achando infantil da minha parte ter levado uma historinha inventada por minha cabeça louca tão long... Ele sorri.
Por quê? Por que esse sorriso é tão lindo? Não digo como uma boba apaixonada, é realmente um sorriso maravilhoso. É largo e ele também sorri com os olhos. Cruza os braços e claramente me pergunta com um levantar de sobrancelhas porque olho tanto para ele. Desvio, encabulada.
O que eu estava mesmo dizendo? Ah é. Nosso casamento. Vou olhar no fundo dos seus olhos e dizer aceito! Aceito meu amor. E aí a gente se beija.