domingo, 22 de abril de 2012

Era pouco, se acabou?

Não, não vou tentar de novo aquela meia-volta-volta-e-meia que me faz dar de cara com seu jeito sem graça e impreciso de teclar "minha cara, não sei como te dizer, mas..."

Olha, não sou eu, é você e a sua dificuldade em ser metade do inteiro que queria. E sem que eu quisesse, mas a tempo de perceber, caímos nessa inércia planejada de forma meticulosa e arisca porque força esterna nenhuma te tira da mesmice de se manter da maneira que se encontra.

Entendo que você esteja fadado aos atrasos que me fazem pensar que você não vem. Aliás, você nunca veio, não é mesmo? O que me vinha era um protótipo de distância como quem faz o suficiente para ser desejado, ao passo que diz "Cuidado, não me toque!". Tudo isso com uma cara de intelectual e uma coçada no queixo enquanto pronuncia seus pensamentos libertinos. Na verdade, todo esse seu esteriótipo de quem sabe o que fazer de maneira inteligente, trepida e perde o charme quando em meio a séria reunião moral você desenrola um trident. E então aquela mandíbula barbuda para um lado e para o outro lembrando meios sorrisos alternados. Mas não são.

Você é só um peculiar intelectual que masca chicletes e sorri com os olhos, depois com a boca. Isso soa doce. Apesar de tudo que você me alerta, eu poderia fazer doutorado em seus sorrisos. Sei de todos os clichês em torno de sorrisos, mas saiba que o seu é verdadeiramente especial, pois raras são as pessoas que sorriem com os olhos qual raro está sendo você em minha vida. Claro que eu deveria estar sentindo mais a sua falta, mas talvez seja só esse meu lado bastante infantil que gosta da magia de ver seu rosto reagindo de cima pra baixo, como se fosse novidade para meu deslumbro.

Ou talvez seja porque não somos tão amigos pra caralho quanto você pensava, ou quanto voce disse para me acalentar, para meu prêmio de consolação. Isso porque talvez eu seja pra caralho demais para você. Ou, ainda talvez, o mais provável: eu na minha coerência tendenciosa seja incapaz de entender sua contradição de, entre outros sinais, me olhar de maneira ininterrupta e depois esfregar um não na minha cara como se eu estivesse te pedindo alguma coisa.

Então se tivermos mesmo que recolher todo esse pouco, será totalmente sem chorumelas de minha parte porque, convenhamos, ficar sem você não é pior que ficar sem mim. Empatamos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário