Ocorreu-me a idéia não simultânea á coragem de buscar o papel. Era a primeira vez que escreveria para alguém cujo rosto não me vem. Talvez em meio a suposições emocionadas, vagas, mas preenchidas por algumas esperanças findas, penso num ou outro rapaz que certamente está agora em pensamento longe e não se lembra do meu nome.
Agora, quando não consigo me decidir entre o nada que me aconselham e o nada que vem depois de minhas ilusões, tudo parece confuso e ridículo.
De fato, escrevo para um alguém que posso jamais conhecer ou bolo um diário desesperado a título de desabafo?
Estou só. Pior é sentir-me só.
Não sei em que acreditar e o que me amedronta é que acredito com tal convicção que me coloca até aqui. Contudo deveria?
Devo.
É a dor que me dá as certezas sobre mim. Ainda que eu esteja vivendo de cabeça para baixo (ou de cabeça voltada para a minha alma), é a forma mais pura de me ser.
Não só o pesar faz com que eu insista em meus anseios. Também quando tento escapar, basta que eu reflita um pouco e tudo que é superficial desmorona restando apenas o que eu nunca deveria ter tentado abandonar.
É difícil aprofundar em abstrações que não deixam de ser abismos por serem minhas. Descrever o desconhecido, enfim, é tarefa árdua que me propus.
Tão impossível quando inevitável.
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