Estou perdida em mim. Mergulho em uma escuridão pessoal, tento engolir essência que por excêlencia já deveria estar interna, não me acho.
O que me difere? O que me transcende? Para quê vim, se não sonho nobre?
Aqui estou.
Não sou esplêndida, não sou incrível, não posso mudar nada, nem mesmo minha mediocridade.
Se há um fim, se está no topo, serei podre. Eterna.
Não sou especial
Entendo o amor, desejo numa distância insegura. O descrevo, burra, não o depreendo.
Ainda que sem dignidade, há algo clamando para que eu não me entregue às trevas. Travo-me. O otimismo imposto pela opção por concepção de alguém que me ame de imatéria sublime mantem forte meu sorriso patético.
Não me acho graça. Contudo, ouço gargalhadas ao meu favor e o eco das que são contra mim, já estiveram aqui.
Eu também estive.
Estou, está ali o meu talento estampado em alguém muito melhor que me olha com preguiça. A preguiça que o próximo mais próximo me esconde por piedade. E por autoproteção.
Eu não sou boa o suficiente para a glória. para o amor, para as artes, para mim e nem para a escuridão. Não se demore Deus, venha lavar minha melancolia e fazer volver a alegria paga sem troco algum.
Venha Deus. Não se demore.
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