Sinto que citar e recitar nós dois se tornou nosso clichê íntimo. Seguir te percebendo é um privilégio iniciado por uma atração cuidadosamente arquitetada por destino e algoritmo. No bloco de notas dessa percepção, posso listar: um avistamento, uma dança, uma rede social, um pedido de ajuda e um encontro das nossas coincidências.
Se eu realmente te guardasse em um caderno, seria fácil notar; o tempo das rasuras foi precedido por enredos caprichosos. Antes do descompasso, viriam os encaixes. Prévio ao desalinho, surgiriam os enlaces.
É compreensível que o hoje, com suas letras tremidas, tome toda a sua atenção para si, e você conclua que a última página já se escreveu. Contudo, espiar as páginas anteriores é irresistível quando a sorte de nós dois é tão… perceptível.
Noto que é você que faz o barulho que eu, escandalosa, ouço. Entendo que você simplesmente está e, sempre que te procuro, encontro um pouco mais de mim. Constato em todos os meus verbos que te amar me acaricia, te estranhar me desalinha, te admirar me destaca. A sua trama descreve a minha.
Contudo, é natural que as mãos se cansem de uma escrita, por fim, tensa, mas eu gostaria de marcar que embora as borrachas do desejo de permanecer manchem, elas abrem espaço para que eu planeje ainda muitas folhas de nós dois.
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