sexta-feira, 5 de abril de 2024

Flertando com o desastre

Há registros de que Nietzsche disse que se você olha muito tempo para um abismo, ele te olha de volta. Às vezes eu penso na possibilidade dele ter me olhado primeiro.

De ter sido tão macio e lindo que, então, retribui a atenção e nunca mais quis deixar de ver. 

O transtorno limítrofe tem um conforto só dele. A dor toma meu corpo inteiro, preenchendo. Depois que sou toda desespero, o desastre vem e me espia. Eu olho para ele como se ele fosse só abraço. A resolução de um problema intencional. Ele começa a fazer promessas. Eu faço que acredito. Nós dois sabemos que eu não vou pular.


(maio de 2022 / editado em abril de 2024)

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