sábado, 7 de fevereiro de 2015

As mensagens que eu não mando

17/12/2014
Ainda sinto o afeto urgente na ponta dos seus dedos brigar com a importuna aspereza na renda da minha blusa.
Certezas embriagantes confundiam o carinho e meus ombros que escorregavam, era eu quem caía.
Eu sou pura ansiedade que escorre. E fixa. Oscila. Sigo de fato sem certeza alguma.

20/12/2014
Almejei maior a madrugada para que eu pudesse passar todo o seu começo extenso, se o fosse, sentindo sua presença preencher os meus segundos. Quem me dera ainda poder dizer, com a boca trêmula, o quão eu preferiria suportar a ânsia por seus beijos a ter que me despedir sedenta. 
Agora estou deitada rezando pra não ter mais um dos meus sonhos em que posso te enlaçar com as pernas, o quão desejei naquele sofá! O pedido é: oh Deus, se não posso tê-lo, não me de o gosto em vislumbro. 
Alimentar esse desejo de alma é talvez (certamente) iludí-la. Pobre alma faminta calejada.

21/12/2014
Meu íntimo, decidido a respeitar o seu momento, ver-te como amigo, gira no próprio eixo e cai tonto, vacila, quando você beija meu pescoço. Hoje quando colamos nossas testas e o que nos separava era a grade, tudo mais que nos separava pôs meus pés atrás. Ainda mais maciço, ainda mais denso é o quão acho pretensão tola você me querer. Coloco-me no meu lugar, mas meu lugar parece tão certo no centro do seu peito. Eu já estive ali.
Sofro meus arquejos, carências, apegos. Contudo, por que, Deus, por que mergulho no fundo dos seus olhos verdes tão lindos e certos, retos, e por instantes eternos, ali estão todos meus desejos?

29/12/2014
São tangíveis as suas tentativas de deixar as coisas claras entre nós. Seu toque me segreda um hesitar. Sinto em todos os seus gestos quentes e contidos, breves e intensos. Pra mim. Percebo em dor que nada me é exclusivo. Fiquei buscando em seus movimentos algo que fosse meu e o ciúme fez arder minhas esperanças vãs.
No entanto, estranhamente, senti-me curada da dor física ao me por ao seu lado. Por que? Quem me dera querer-te não me soasse tão benigno. 
Assombra-me como é espontânea sua singularidade em meus devaneios! 
Contudo, a realidade vocifera melancolicamente: Não, não há nada romântico, não há nada além pro meu deslumbro! É aprazível em mim como pra outra, na oposta ponta da mesa. 
Eu peço para olvidar suas delícias, mas a desesperança me tira o lírico.
Essa mensagem, em contraponto as outras, me é tão menos bela.
Minha arte necessita de certa dose de fantasia permitida.

01/01/2015
Mãos dadas por debaixo, proibidas. Dedos ávidos, sensações minhas abrasadas, carícias. Pensamento urgente quase rebenta, jorra... Ao menos, deixo-me sentir. Calada. Não há fazer possível que impeça tal suntuosa alegria por estar ali. Ainda que enganada, iludida, equivocada. Tarde. Estou completamente apaixonada.

09/01/2015
Como queria eu poder enviar minhas saudades em caracteres, a te clarear. Tanto quer cor e meu arco-íris se coloca ao seu dispor. Tolo aguardo. Você não o considera, não é certo? Triste sina de aguardar.

17/01/2015 
Segura eu estava de que havia descansado o insano impulso de querer os seus carinhos. Inspirei razão, expirei resposta, era tudo desvario infanto, pobre pequena de mim. 
Foi que nessa noite sonhei mais uma vez. Volveu a tona uma sensação de todos os sonhos, e agora depreendo-a, posso descrever. Alívio! Quando enfim o beijo, o afeto dito, explícito, posso respirar aliviada. Penso: Você veio, conseguiu chegar até aqui! Agora está tudo em seu devido lugar, como programado. O de sempre, novamente. Certo, como se combinado. Quase tão cúmplice quanto nosso olhar em realidade. Olhar esse que eu sempre desvio, apressada. Impulso de me mostrar madura o suficiente para me ignorar. Como se eu tivesse que me segurar, pois a qualquer momento eu diria, qual uma louca: Eu amo você, volta!

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