Estou assim como uma caixa desforme que comporta único componente
perturbado. Eu fecho meus olhos encharcados e pesa tanto essas fendas abertas...
Agora cerradas. Eu escuto o soar do coração que é o meu exclusivo conteúdo
maior. Ele pulsa. Ou vibra? Sou toda frenesia estática.
Ah, se eu pudesse ter recheio outro... Eu não me seria! E
será que permearia assim tão sua, tão minha? Eu me perderia... No interior seu,
meu amor, que é sombra pra que eu possa iluminar. Dia! Morada, luz, nova, quente,
sua, minha pra que você possa repousar.
Veja, se olhe de dentro, que cor cinza tem seu miolo rijo
em sua caixa sempre fria, tão bem articulada? Quanto a você, o seu, assim, o quanto
pulsa, o quanto balança quando o meu assim arqueja num ansiar?
Você aí, eu estou assim sem razão porque sou sangue vivo.
O meu é coração, aqui não! O seu é assim meio torpe, nem figura redonda que te
favoreça... Nem o nome que rime: cé-re-bro. O meu conteúdo falha por ser
errante, o seu falha por um erro. Oh, não! Como pode?
Assim. São duas caixas. Longe assim como lua e sol que
não se encontram porque queimariam, ai de mim! E de você e de nós que assim tão
diferentes, caixas, astros, jogo de palavras assim como nós. Jogo... Que
ninguém pode vencer. Sol que não pode aquecer tanto assim. Limite que meu
coração não dá e que seu miolo estabelece sem ressalvas pra mim.
Meu coração desfalece ainda mais essa caixa que sou já
tão torta. É o fim?
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