Eu fiquei deitada no chão morno com a cabela latejando, a mão na testa e me perguntava se há algo pior que autoisolamento em dia quente.
Desprezei a espiral que saia da minha mente, lamentei não ter a ver com meu novo corte de cabelo porque eu estava destruída. O vestido estampado subia quase até o pescoço, menina desvairada, sem modos, errada. A lente bamba dos meus óculos ameaçava despencar e seria uma boa distração o necessário encaixe.
Eu não poderia mais ignorar que estava envolta por um vidro espesso. Transparente, eu parecia livre, mas era peixe que nadava em círculos e ficava tonto sem saber.
Eu fui engolida por minha própria personalidade. Eu consegui desgraçar-me a ponto de fazer parecer estar tudo sob controle enquanto todo meu íntimo desmoronava. Minha dor tinha abstração tamanha que ninguém entenderia e eu pareceria tola. Eu sofria sozinha por não ter o que me traduzisse, nem aguentaria a simplicidade de palavras vindas de corações límpidos. Nenhuma brisa compreenderia meu vendaval.
É chegado o verão na primavera? Estou suando. Há mesmo pedras em sapatos quando se está descalço? Eu nem mais queria estar feliz pra me provar inteira. Diria um conhecido infeliz "sem vontade de ficar com vontade". E pra ser sincera, ainda estou no mesmo chão (agora quente) tentando ponderar se o sofrimento de um amor não correspondido não é melhor que esse doloroso vazio que transborda minha alma.
Parece romântica minha desilusão, mas é só porque também é triste o fim. A temporada floramente colorida era apenas mandacaru avisando tempestade em vidro de aquário.
Saem as desilusões amorosas e ficam evidentes as da vida. Um inferno familiar, um medo do futuro e a solidão fazendo sombra no meu sossego. Seria um verão abafado e passageiro ou só a noite me convidando para um eterno passeio?
Certamente esses círculos não me dirão nada. Mãos atadas e não há nada que distraia meu pesar. Viro-me de lado e despenca a lente de meus óculos... Sorte, há algo a consertar.
Ler o blog da Giovanna é como ouvir uma música do Titãs: letras que parecem simples, mas que dizem muito.
ResponderExcluirParabéns mais uma vez.
Papa.
Muito obrigada, Papa. Seu carinho e atenção me alegram.
Excluir